Conheça o Corredor Solar da Babilônia: Mobilizadores de Favela Participam de Minicurso sobre Energia Solar [VÍDEO]

Participantes da turma na trilha do Parque Municipal Paisagem Carioca. Morro da Babilônia, 03 de junho de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira
Participantes da turma na trilha do Parque Municipal Paisagem Carioca. Morro da Babilônia, 03 de junho de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira

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No dia 3 de junho foi realizada a aula inaugural do Minicurso para Embaixadores de Energia Solar da Rede Favela Sustentável (RFS) na favela da Babilônia, Zona Sul do Rio de Janeiro. O encontro teve como objetivo reunir mobilizadores integrantes da rede, sob liderança da Revolusolar, organização também integrante da RFS e atuante na área há oito anos, para debater e introduzir a temática do curso: “a justiça energética e climática, e o papel da energia solar na realização das mesmas”. Nas semanas seguintes, o curso reuniu pessoas de diversos territórios, no formato online durante as quartas-feiras de junho e julho, finalizando o curso em seu encontro final no dia 12 de agosto, na sede da Mulheres de Atitude e Compromisso Social (AMAC Atitudes), na comunidade Dique da Vila Alzira, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Neste dia, a sede da instituição recebeu sua própria instalação de um sistema de placas solares.

O curso virtual foi dividido em dez aulas ministradas pela Revolusolar, que iniciou suas atividades no Morro da Babilônia em 2015. Na aula presencial inaugural, foi realizado um tour educativo pelo “Corredor Solar” da Babilônia, liderada por Dinei Medina, e em seguida a trilha do Parque Natural Municipal Paisagem Carioca, onde foi debatida a importância da energia solar para as favelas e periferias e a conexão com a sustentabilidade em seu contexto ampliado. 

Assista ao vídeo do tour de Dinei pelo Corredor Solar da Babilônia e o Parque Natural Municipal Paisagem Carioca:

Após o almoço, que aconteceu nas dependências da Igreja Batista do Leme, parceira do projeto, foram definidas as prioridades para o curso a partir de uma troca ativa com os participantes: todos mobilizadores de outras favelas fluminenses.

“A ideia é que as aulas sejam conversas. A gente fez questão na aula inaugural, na parte da tarde, de fazermos um papel mais de escuta, e vocês lideranças de seus territórios, botarem quais as questões prioritárias, as dúvidas sobre energia solar.” — Eduardo Avila, Diretor Executivo da Revolusolar

Momento da dinâmica das demandas levantadas pelos alunos mobilizadores comunitários. Morro da Babilônia, 03 de junho de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira /ComCat
Momento da dinâmica das demandas levantadas pelos alunos mobilizadores comunitários. Morro da Babilônia, 03 de junho de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira

A partir da semana seguinte, os encontros remotos passaram por oito aulas com diferentes temáticas, engajando mais de 120 pessoas, principalmente mobilizadores comunitários do Rio, mas também aliados e lideranças de outras comunidades, inclusive de outras regiões do país. Assim, foi possível ter uma dimensão nacional sobre projetos que envolvem a energia solar com intercâmbios pelas regiões do Brasil que instigaram os alunos a criarem seus próprios projetos para apresentação final.

“A energia solar tem tudo para dar certo em nosso país, depende da boa vontade dos governantes das empresas de energia, porque realmente não é interesse deles próprios da população ficar independente da energia deles. Vamos torcer para dar tudo certo, para gente está aí com energia solar nas comunidades, nas favelas, na Amazônia.” — Edize Maria Santos, Associação de Mulheres de Atitude com Compromisso Social (AMAC Atitudes)

Foram abordados os temas introdutórios (o que é energia, suas fontes e os segmentos do setor elétrico), seguidos pelo foco na transição energética e a apresentação de mobilizadores comunitários referência em energia solar tanto dentro da RFS quanto de MAB/MG, Cooperativa Bem Viver/PB, Conjunto Paulo Freire/SP e Instituto Favela da Paz/SP, e finalmente foi focado o tema de como elaborar um projeto de energia solar para as sedes comunitárias das organizações da RFS, com orientações para que os participantes pudessem escrever seus próprios projetos de energia solar e buscar apoio.

“Eu já tive a oportunidade de ir para alguns lugares fora do país. Foi quando eu pensei realmente nessas tecnologias e meu questionamento sempre era: por que essa tecnologia de ponta tem aqui, mas nas quebradas de São Paulo não tem energia solar? Por que não tem biodigestão?” — Fábio Miranda, Instituto Favela da Paz, na Zona Sul de São Paulo

Fábio apontou que todo mundo tem potencial de estudar tecnologias e falou sobre a sua experiência com o primeiro projeto, dentro do estado de São Paulo, na Favela da Paz,  de energia distribuída.

O curso contou com pessoas de diferentes faixas etárias na qual proporcionou uma discussão intergeracional sobre a ineficiência energética em territórios mais vulnerabilizados. Jovens do curso de 2022 da RFS de “Pesquisa Hídrica e Energética nas Favelasparticiparam, além de lideranças veteranas dos quatro cantos da cidade.

Entre as ricas trocas no curso estavam as trocas entre os próprios alunos. Um dado citado é de que cerca de 1 milhão de pessoas estão sem energia elétrica na Amazônia, gerando o relato de uma liderança da região presente na aula virtual.

“Eles instalam essas hidrelétricas na nossa cidade, nas nossas comunidades, destroem os rios, destroem as culturas e tiram a nossa sustentabilidade da vida e ainda as pessoas que são impactadas não têm direito à energia. Aqui na nossa cidade, as nossas famílias ribeirinhas não têm energia.” — Maria Francineide, Coletivo de Mulheres do Xingu, Altamira/PA

A décima e última aula foi, novamente, realizada presencialmente, na sede da AMAC, organização comunitária no Dique da Vila Alzira em Duque de Caxias, que atua em apoio à mulheres vítimas de violência e também às famílias da região. Lá, os alunos apresentaram suas propostas para projetos de energia solar nas sedes de organizações de seus territórios e puderem acompanhar o processo de instalação de painéis solares pela RFS no telhado da organização, realizado ao longo do dia.

Lidiane Santos e Gabrielle Silva apresentando seus projetos de energia solar pela ONG Alfazendo, AMAC, Duque de Caxias, 12 de agosto de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira ComCat.
Lidiane Santos e Gabrielle Silva apresentando seus projetos de energia solar pela ONG Alfazendo, AMAC, Duque de Caxias, 12 de agosto de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira

Durante a apresentação dos projetos na aula final, Lidiane Santos e Gabrielle Silva do Alfazendo, referência de educação socioambiental na Cidade de Deus, retrataram a importância de ter energia solar nas dependências das ações que fazem em uma escola pública local, na qual nomearam a iniciativa “Eco Brilharte”.

“Pensamos no Eco Brilharte como [um local com] possibilidade de… implementação da energia solar…” — Gabrielle Silva

Ambas apontaram sobre as diferentes iniciativas do Alfazendo, e assim, a importância da energia solar para as ações no território da Cidade de Deus.

“O desenvolvimento sustentável é uma realidade nas favelas a medida em que apesar de todos os dispositivos que o racismo ambiental dispõem para provocar mortes, adoecimentos e condições sub-humanas de vida, as instituições de base comunitária tecem redes para a superação desses desafios. Visando iluminar esse horizonte, a implementação da energia solar na casa modelo da Escola Verde Que Te Quero Ver amplia as ações de desenvolvimento socioambiental locais.” — Lidiane Santos

Alunos tocando nas placas solares antes da instalação da RFS na AMAC, Duque de Caxias, 12 de agosto de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira ComCat.
Alunos tocando nas placas solares antes da instalação da RFS na AMAC, Duque de Caxias, 12 de agosto de 2023. Foto: Alexandre Cerqueira

Assim, os alunos e lideranças vivenciaram a oportunidade de tocar nos painéis solares, além de debaterem sobre a importância dos mesmos nas favelas e periferias, mais especificamente no município de Duque de Caxias. Carlos Gabriel Santo, da AMAC, retratou que é necessário “mostrar que isso não é o futuro. Isso é a realidade! E da mesma forma que nós conseguimos, [outros] também podem conseguir… contribuir para um futuro melhor”.

Veja as fotos da aula inaugural do curso de energia solar da Rede Favela Sustentável:

Minicurso de Energia Solar da Revolusolar com a Rede Favela Sustentável no Morro da Babilônia, 03 de junho de 2023


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